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Filosofia da Ciência

Dos Critérios de Demarcação à Redescrição da Epistemologia


Professor

André Campos da Rocha
Doutor em Filosofia


Período

[NOVA DATA]
De 15 de setembro a 3 de novembro de 2011

Setembro: 15, 22, 29
Outubro: 6, 13, 20, 27
Novembro: 3




Horário

Às quintas-feiras, das 18h30 às 20h45


Carga horária

24 horas/aula


Certificado

Entrega de certificado mediante 75% de presença nas aulas.


Público-alvo

Graduados de áreas afins ao tema proposto e demais interessados na reflexão sobre o lugar da ciência no conjunto das atividades intelectuais humanas e na tela maior da cultura.


Ementa

A visão de ciência no pensamento positivista. O critério de falseabilidade proposto por Karl Popper para distinguir a ciência da pseudociência. A leitura de Thomas Kuhn sobre a história da ciência: ciência normal e progresso cumulativo. As revoluções científicas e as mudanças de paradigma. A não restrição à ciência do aspecto normalizado dos inquéritos de pesquisa: a desmistificação do método operada por Kuhn. O significado do “anarquismo epistemológico” de Paul Feyerabend. Feyerabend e a linguagem. A descentralização da epistemologia sugerida nas redescrições da atividade científica propostas por Richard Rorty. A renovação do impulso neopositivista com o projeto de unificação da ciência: a “consiliência” de Edward Wilson. A crítica neopragmática à retórica que afirma a necessidade de unificar o conhecimento.


Objetivos gerais

Através de textos selecionados, convidar o aluno a refletir sobre as diferentes concepções com que a ciência tem sido abordada ao longo da história recente da Filosofia e sobre como essas concepções implicam papéis diversos para tal atividade humana no quadro maior da cultura. Tem-se, portanto, por objetivo final deste curso uma reflexão quanto às consequências éticas e políticas das descrições com que a ciência se apresenta a nós.


Objetivos específicos

. Apresentar as razões que sugeriram a preocupação com os critérios de demarcação científica.

. Apontar as dificuldades na defesa de uma teoria empirista do conhecimento segundo Karl Popper. Introduzir o tema do conhecimento como inevitavelmente dependente da atividade teórica segundo o mesmo filósofo.

. Tornar conhecida o sentido da leitura histórica que Thomas Kuhn propõe para a atividade científica, apresentando, ao mesmo tempo, os principais conceitos de sua célebre obra.

. Apresentar o “anarquismo epistemológico” de Paul Feyerabend com o devido cuidado para que este autor não surja como um filósofo que negligencia a relevância da atividade crítica.

. Refletir sobre a utilidade da redescrição proposta por Richard Rorty para a epistemologia bem como sobre as possibilidades libertárias de se a descentralizar da reflexão filosófica.


Bibliografia básica

POPPER, Karl. Conhecimento Objetivo. Uma Abordagem Evolucionária. [Tradução de Milton Amado]. São Paulo: EDUSP/ Belo Horizonte: Itatiaia, 1975.

KUHN, Thomas. A Estrutura das Revoluções Científicas, 5ª. edição. [Tradução de Beatriz Vianna Boeira e Nelson Boeira]. São Paulo: Perspectiva, 1997.

FEYERABEND, Paul. Contra o Método. [Tradução de Cezar Augusto Mortari]. São Paulo: UNESP, 2007.


Bibliografia complementar

DAWKINS, Richard. Desvendando o Arco-Íris: Ciência, Ilusão e Encantamento. [Tradução de Rosaura Eichenberg]. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

FEYERABEND, Paul. A Conquista da Abundância: Uma História da Abstração Versus a Riqueza do Ser. [Tradução de Cecília Prada e Marcelo Rouanet]. São Leopoldo: UNISINOS, 2006.

GOULD, Stephen Jay. “A Corrente da Razão e a Corrente dos Polegares”. In: GOULD, Stephen Jay. Viva o Brontossauro: Reflexões sobre História Natural. [Tradução de Carlos Afonso Malferrari]. São Paulo: Companhia das Letras: 1992.

POPPER, Karl. “A Racionalidade das Revoluções Científicas”. In: HARRÉ, Rom (org.). Problemas da Revolução Científica. [Tradução de Leônidas Hegenberg & Octanny S. da Mota]. São Paulo: EDUSP/ Belo Horizonte: Itatiaia, 1976.

POPPER, Karl. O Mito do Contexto: Em Defesa da Ciência e da Racionalidade. [Tradução de Paula Taipas]. Lisboa: Setenta, 1999.

POPPER, Karl. “A Epistemologia e o Problema da Paz”. In: POPPER, Karl. A Vida é Aprendizagem: Epistemologia Evolutiva e Sociedade Aberta [Tradução de Paula Taipas]. Lisboa: Setenta, 2001.

POPPER, Karl. Conjecturas e Refutações. [Tradução de Benedita Bettencourt]. Coimbra: Almedina, 2003.

RORTY, Richard. Filosofia e o Espelho da Natureza. [Tradução de César Ribeiro de Almeida]. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994.

RORTY, Richard. “Um Mestre Iconoclasta”. [Tradução de Samuel Titan Jr.]. Caderno Mais! da Folha de São Paulo, 6 de outubro de 1996, p. 10.

RORTY, Richard. “Solidariedade ou Objetividade?”. In: RORTY, Richard. Escritos Filosóficos, Vol. 1: Objetivismo, Relativismo e Verdade. [Tradução de Marco Antônio Casanova]. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1997.

WILSON, Edward. Consiliência: A Unidade do Conhecimento. [Tradução de Ivo Korytowski]. Rio de Janeiro: Campus, 1999.


Conteúdo programático

CIÊNCIA: UMA PRIMEIRA APROXIMAÇÃO AO TEMA
1.1. As diferentes narrativas sobre o mundo.
1.2. Separar o joio do trigo: como identificar a atitude científica.

A CONCEPÇÃO POSITIVISTA DA CIÊNCIA
2.1. A ciência segundo o modelo positivista.
2.2. A questão do progresso como justificativa da apresentação da ciência como discurso privilegiado na explicação do mundo.

O RACIONALISMO CRÍTICO DE KARL POPPER
3.1. A crítica à concepção empirista da ciência.
3.2. A busca da objetividade pela crítica das conjecturas. A refutabilidade das hipóteses científicas.

A DESCRIÇÃO DE THOMAS KUHN DA CIÊNCIA
4.1. A ciência como um processo de resolução de problemas sugeridos por um paradigma.
4.2. A ciência normalizada e o progresso. Revoluções científicas como mudanças de paradigmas.

O “ANARQUISMO EPISTEMOLÓGICO” DE PAUL FEYERABEND
5.1. O abandono de critérios essenciais na demarcação da atividade científica e da não-científica. A desorganizadora leitura histórica da ciência empreendida por Paul Feyerabend.
5.2. O perigo de uma adesão inflexível à condição de coerência. A recomendação para o cientista pensar contra-indutivamente.

A VOLTA DO PROJETO POSITIVISTA DA UNIFICAÇÃO DOS CONHECIMENTOS: A “CONSILIÊNCIA” DE EDWARD WILSON
6.1. Consiliência: a condição para o progresso.
6.2. A visão unificada do conhecimento tal como proposta por Wilson.

A DESCENTRALIZAÇÃO DO PROJETO EPISTEMOLÓGICO EM RICHARD RORTY
7.1. A persuasão de Richard Rorty para que tomemos os vocabulários como contingentes.
7.2. A redescrição de Rorty sobre a adoção da “atitude epistemológica”.

CIÊNCIA COM UMA FACE HUMANA
8.1. O cientificismo é mesmo necessário?
8.2. Uma interpretação instrumental da atividade científica. A sugestão de Richard Rorty de se abandonar o projeto da visão unificada proposta por Edward Wilson..


Investimento

2 parcelas de R$ 95,00


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